A Nissan precisa acelerar no Brasil. Enquanto o mercado cresce e os concorrentes ampliam suas ofertas de híbridos e elétricos, a fabricante japonesa ainda depende de poucos produtos para sustentar sua operação. Hoje, os SUVs Kait e Kicks concentram quase 88% dos emplacamentos da marca.
Ricardo Yuji Gondo, que assumiu a presidência em agosto e reuniu a imprensa na última sexta-feira (16), não disse nada de diferente do que já sabíamos.
A chegada do X-Trail e-Power a partir de março, na virada do ano fiscal da fabricante, é a primeira oportunidade, ainda que um pouco tardia, de a Nissan começar a reagir.
O SUV, posicionado acima do Kicks, é um dos melhores do mercado e será um teste da capacidade da Nissan de transformar sua experiência tecnológica em uma oferta competitiva para o consumidor brasileiro. E Gondo é especialista nisso.
Os números e o desânimo da rede autorizada mostram por que essa reação é extremamente necessária. Em setembro, a Nissan emplacou aproximadamente 6,65 mil veículos, com 2,47% de participação no mercado de automóveis e comerciais leves. O resultado ficou cerca de 13,9% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025, enquanto o setor avançou 16,16%. De janeiro a setembro, a marca registrou 56.573 unidades.
O Kait liderou os emplacamentos da marca em setembro, com 3.060 unidades, seguido pelo Kicks, com 2.785. Juntos, os dois responderam por quase 88% do volume mensal. O Versa registrou 795 unidades, enquanto Frontier e Sentra, fora da linha, tiveram registros de cinco e três veículos, respectivamente.

Mudança
O X-Trail vai abrir o caminho da mudança. Seu sistema e-Power movimenta as rodas exclusivamente por motores elétricos, enquanto o motor a gasolina funciona como gerador. Não há recarga na tomada. Na configuração europeia, o conjunto oferece 204 cv com tração dianteira ou 213 cv com o sistema integral e-4ORCE. O modelo também tem opções de cinco ou sete lugares e aproximadamente 4,68 metros de comprimento.
Outra frente dessa renovação vem da China: o elegante sedã N7, que já conhecemos no Japão e nasceu da operação da Nissan com a Dongfeng. A fabricante já incluiu a exportação do elétrico para a América Latina em sua estratégia internacional, embora o calendário brasileiro ainda dependa da confirmação do mês de chegada, depois do X-Trail.

Com 4,93 metros de comprimento nas versões convencionais e entre-eixos de 2,915 metros, o N7 aposta em espaço e conforto. Na tabela chinesa atual, oferece motores de aproximadamente 218 ou 286 cv e autonomia de até 635 km pelo ciclo CLTC. Esse alcance não corresponde à homologação brasileira, cuja metodologia reduz em 30% a autonomia informada na tabela.
A terceira atração
O NX8 amplia essa proposta para os SUVs. Tem 4,87 metros de comprimento, entre-eixos de 2,917 metros e versões elétrica e com extensor de autonomia. A Nissan anuncia até 650 km de autonomia na elétrica ou até 1.450 km de alcance total na configuração com extensor, também pelo padrão chinês.

A Nissan tem novos caminhos pela frente sob a gestão de Ricardo Gondo. Respeitado pela rede autorizada, o executivo esteve à frente da Renault, estava aposentado e voltou para o jogo.
CNN
