A recente declaração do prefeito de Pombal, Dr. Verissinho (MDB), sobre pais com filhos autistas, é um retrato deplorável de ignorância e preconceito que não pode ser tolerado na sociedade atual. Em uma reunião com aliados políticos, Verissinho teve a audácia de afirmar que ter filhos com transtorno do espectro autista (TEA) seria “uma infelicidade”. Para agravar a situação, uma aliada do prefeito defendeu a fala, proferindo a ignóbil frase: “Um menino autista é um menino doido. E quem é que quer ter um filho doido?”.
Essas declarações são um ataque não apenas às famílias que convivem com o autismo, mas também à luta pela inclusão e pelo respeito às diferenças. Em pleno 2024, é inaceitável que figuras públicas perpetuem estigmas tão retrógrados e ofensivos. O aumento significativo de matrículas de pessoas com TEA nas escolas brasileiras, de 429 mil em 2022 para 636 mil em 2023, evidencia a necessidade urgente de políticas públicas e atitudes que promovam a inclusão e o respeito.
A fala do prefeito e sua aliada expõe uma falta de compreensão básica sobre o autismo e reforça estereótipos danosos. Pessoas com TEA não são “doidas”. O transtorno do espectro autista é uma condição neurológica que afeta a interação social, comunicação e comportamento, e é fundamental que seja abordado com empatia e conhecimento. Pais e profissionais dedicam suas vidas a proporcionar às crianças com TEA um desenvolvimento pleno e digno, enfrentando desafios diários e superando barreiras sociais e estruturais.
Esperamos que o Ministério Público tome as medidas cabíveis contra essas declarações preconceituosas. Pedidos de desculpas são o mínimo que se espera, mas a ação judicial é necessária para que se estabeleça um precedente de que tais atitudes não serão mais toleradas. Além disso, é imperativo que Dr. Verissinho e seus aliados passem por capacitações sobre o autismo e a importância da inclusão, demonstrando que suas palavras não representam a postura de um líder comprometido com o bem-estar e a dignidade de todos os seus cidadãos.
Em tempos onde o mundo avança na compreensão e inclusão de pessoas com condições diversas, figuras públicas têm a responsabilidade de liderar pelo exemplo, promovendo respeito e empatia. A sociedade paraibana, e brasileira como um todo, merece lideranças que abracem a diversidade e lutem por um futuro mais justo e inclusivo para todos.
Por: Napoleão Soares